Nova biografia detalha a vida de Guimarães Rosa, autor de ‘Grande Sertão: Veredas’

Advertisement

O jornalista Leonencio Nossa lança, no próximo dia 15 de abril, uma biografia sobre o escritor João Guimarães Rosa. O livro, resultado de quase 20 anos de pesquisa, reúne informações de acervos e correspondências para detalhar a vida do autor mineiro. A obra será publicada em uma colaboração entre as editoras Nova Fronteira e Topbooks, contando com 736 páginas.

A pesquisa para a obra durou quase 20 anos, com consulta a acervos do Itamaraty e a uma coleção de aproximadamente 2.000 cartas. De acordo com informações do jornal O Tempo, o volume de 736 páginas inclui uma linha do tempo, árvore genealógica e um caderno de imagens. O lançamento é uma colaboração entre as editoras Nova Fronteira e Topbooks.

Nascido em 1908 em Cordisburgo, Minas Gerais, João Guimarães Rosa formou-se em medicina, mas não gostava da profissão. Posteriormente, tornou-se diplomata, mas, segundo os relatos da biografia, sentia falta de comidas simples como quiabo e tutu de feijão. A obra o descreve como alguém que sempre colocou a literatura como prioridade em sua vida.

Para desenvolver seu estilo, Rosa planejava viagens por Minas Gerais e Mato Grosso do Sul, acompanhado de jagunços. Essas experiências, combinadas com suas leituras de clássicos e a forma de contar histórias de seu pai, foram fundamentais para a criação de um estilo literário distinto. O resultado culminou em obras como “Sagarana”, “Primeiras Estórias” e “Grande Sertão: Veredas”.

Advertisement

A biografia apresenta um escritor vaidoso e que mantinha relações extraconjugais. De acordo com O Tempo, ele tinha certeza de seu talento e, na juventude, fez críticas a outros escritores. “Não pretendo ler mais Machado de Assis, a não ser nos seus afamados contos”, escreveu aos 31 anos, considerando sua leitura “tediosa”.

Ele também se referiu a uma literatura “calhorda” e “simplista” que, segundo ele, reinava no país “para a glória dos jorgeamados etc.”. Sobre Mário de Andrade, Rosa afirmou ao diplomata Francisco Alvim que, apesar da rica pesquisa de vocabulário, “Mário não passava a limpo a língua do povo”.

A atuação como diplomata e a visão do biógrafo

Outro ponto abordado na obra é sua atuação no consulado brasileiro em Hamburgo, em 1938. Junto de sua esposa, Aracy de Carvalho, ele foi instrumental para ajudar diversas pessoas judias a escaparem da Alemanha por baixo dos panos. Sua atividade no cargo de cônsul fez com que o diretor da polícia secreta alemã escrevesse em um relatório que “João Guimarães Rosa deve ser considerado um adversário”.

O biógrafo Leonencio Nossa afirma que seu objetivo não foi se colocar como um especialista na obra de Rosa, mas como jornalista. “Eu acreditava que, apresentando isso, preenchia uma lacuna”, diz Nossa, explicando que a obra de Rosa foi “capturada pelos estudiosos” e que “faltava puxar para o lado do jornalismo”. Ele ressalta que suas reportagens mais conhecidas são sobre política e direitos humanos.

Advertisement

Em seu discurso de posse na Academia Brasileira de Letras, em 16 de novembro de 1967, Guimarães Rosa mencionou como as histórias dos sertões de Minas Gerais enriqueceram sua imaginação. Ao final, declarou aos presentes: “Está aqui Cordisburgo”. O escritor faleceu três dias após a cerimônia, em 19 de novembro de 1967.

O livro “João Guimarães Rosa: Biografia” será lançado em 15 de abril, com preço sugerido de R$ 199,90. A obra de Leonencio Nossa, com 736 páginas, é uma publicação das editoras Nova Fronteira e Topbooks.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *